Angrenses Ilustres

>Lopes Trovão

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José Lopes da Silva Trovão ou simplesmente Lopes Trovão nasceu em Angra dos Reis, em 23 de março de 1848 .
Filho de José Maria dos Reis Lopes Trovão e Maria Jacinta Lopes Trovão, formou-se em Medicina pela Faculdade do Rio de Janeiro, foi diplomata e deputado federal entre 1891 e 1894 e, posteriomente, senador da República entre 1895 e 1902.
Foi um dos propagandistas republicanos mais ativos, e ardente abolicionista, atacando a estrutura do Império do Brasil até sua queda, em 1889, sendo um dos signtários do Manifesto Republicano de 1870. faleceu no Rio de Janeiro em 1925.
Em sua homenagem a Prefeitura de Angra deu seu nome a uma praça na cidade.

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>Raul Pompéia

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>Raul de Ávila Pompéia, jornalista, contista, cronista, novelista e romancista, nasceu em Jacuecanga, Angra dos Reis, RJ, em 12 de abril de 1863, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 25 de dezembro de 1895. É o patrono da Cadeira n. 33, por escolha do fundador Domício da Gama.

Era filho de Antônio de Ávila Pompéia, homem de recursos e advogado, e de Rosa Teixeira Pompéia. Transferiu-se cedo, com a família, para a Corte e foi internado no Colégio Abílio, dirigido pelo educador Abílio César Borges, o barão de Macaúbas, estabelecimento de ensino que adquirira grande nomeada. Passando do ambiente familiar austero e fechado para a vida no internato, recebeu Raul Pompéia um choque profundo no contato com estranhos. Logo se distingue como aluno aplicado, com o gosto dos estudos e leituras, bom desenhista e caricaturista, que redigia e ilustrava do próprio punho o jornalzinho O Archote. Em 1879, transferiu-se para o Colégio Pedro II, para fazer os preparatórios, e onde se projetou como orador e publicou o seu primeiro livro, Uma tragédia no Amazonas (1880).

Em 1881 começou o curso de Direito em São Paulo, entrando em contato com o ambiente literário e as idéias reformistas da época. Engajou-se nas campanhas abolicionista e republicana, tanto nas atividades acadêmicas como na imprensa. Tornou-se amigo de Luís Gama, o famoso abolicionista. Escreveu em jornais de São Paulo e do Rio de Janeiro, freqüentemente sob o pseudônimo “Rapp”, um dentre os muitos que depois adotaria: Pompeu Stell, Um moço do povo, Y, Niomey e Hygdard, R., ?, Lauro, Fabricius, Raul D., Raulino Palma. Ainda em São Paulo publicou, no Jornal do Commercio, as “Canções sem metro”, poemas em prosa, parte das quais foi reunida em volume, de edição póstuma. Também, em folhetins da Gazeta de Notícias, publicou a novela As jóias da Coroa.

Reprovado no 3o ano (1883), seguiu com 93 acadêmicos para o Recife e ali concluiu o curso de Direito, mas não exerceu a advocacia. De volta ao Rio de Janeiro, em 1885, dedicou-se ao jornalismo, escrevendo crônicas, folhetins, artigos, contos e participando da vida boêmia das rodas intelectuais. Nos momentos de folga, escreveu O Ateneu, “crônica de saudades”, romance de cunho autobiográfico, narrado em primeira pessoa, contando o drama de um menino que, arrancado ao lar, é colocado num internato da época. Publicou-o em 1888, primeiro em folhetins, na Gazeta de Notícias, e, logo a seguir, em livro, que o consagra definitivamente como escritor.

Decretada a abolição, em que se empenhara, passou a dedicar-se à campanha favorável à implantação da República. Em 1889, colaborou em A Rua, de Pardal Mallet, e no Jornal do Commercio. Proclamada a República, foi nomeado professor de mitologia da Escola de Belas Artes e, logo a seguir, diretor da Biblioteca Nacional. No jornalismo, revelou-se um florianista exaltado, em oposição a intelectuais do seu grupo, como Pardal Mallet e Olavo Bilac. Numa das discussões, surgiu um duelo entre Bilac e Pompéia. Combatia o cosmopolitismo, achando que o militarismo, encarnado por Floriano Peixoto, constituía a defesa da pátria em perigo. Referindo-se à luta entre portugueses e ingleses, desenhou uma de suas melhores charges: “O Brasil crucificado entre dois ladrões”. Com a morte de Floriano, em 1895, foi demitido da direção da Biblioteca Nacional, acusado de desacatar a pessoa do Presidente no explosivo discurso pronunciado em seu enterro. Rompido com amigos, caluniado em artigo de Luís Murat, sentindo-se desdenhado por toda parte, inclusive dentro do jornal A Notícia, que não publicara o segundo artigo de sua colaboração, pôs fim à vida no dia de Natal de 1895.

A posição de Raul Pompéia na literatura brasileira é controvertida. A princípio a crítica o julgou pertencente ao Naturalismo, mas as qualidades artísticas presentes em sua obra fazem-no aproximar-se do Simbolismo, ficando a sua arte como a expressão típica, na literatura brasileira, do estilo impressionista.

Obras: Uma tragédia no Amazonas, novela (1880); As jóias da coroa, novela (1882); Canções sem metro, poemas em prosa (1883); O Ateneu, romance (1888). A obra completa de Raul Pompéia está reunida em Obras, org. de Afrânio Coutinho, 10 vols. (1981-1984).

>Brasil dos Reis

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>Benedito dos Reis Vargas, nasceu em Angra dos Reis, em 4 de maio de 1895. Foi um autodidata, que por sua extrema dedicação à cultura, tornou-se o poeta-maior de sua terra. Em 1916 acrescentou ao seu nome as palavras “Angrense” e “Brasil”, e passou a chamar-se Benedito Angrense Brasil dos Reis Vargas.
Posteriormente adotou o pseudônimo de Brasil dos Reis.
De 1917 a 1922 escreveu para 11 jornais; do Rio de Janeiro, Angra, Paraty e Juiz de Fora, entre outros. Lançou os jornais: “O Prélio”, em Paraty, e “O Litoral”, na Região Sul Fluminense.
Em 1973, junto ao historiador Alípio Mendes, fundou o Ateneu Angrense de Letras e Artes. Faleceu no dia 22 de Abril de 1975, aos 80 anos de idade.
Fonte: Dados extraídos do Livro “Lugares Comuns”, com contribuição do Acadêmico do Ateneu Angrense de Letras e Artes, Sebastião Isidro de Araújo).

>Alípio Mendes

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>Comendador Alípio Mendes
Francimar Pinheiro
(do Ateneu Angrense de Letras e Artes)

O Comendador Alípio Mendes, como ele gostava de ser conhecido, nasceu em Angra dos Reis, em 09 de setembro de 1921. Era filho do Sr. Ostiano Mendes e de Dona Eurídice de Oliveira Mendes. Seu bisavó materno era Inácio During, agricultor, serralheiro e inventor, morador da Freguesia de Nossa Senhora do Rosário de Mambucaba, atualmente conhecida como Vila Histórica de Mambucaba.
Alípio fez de tudo um pouco, de vendedor de doces a telegrafista; de Serventuário da Justiça, função na qual se aposentou, a pesquisador e historiador, passando pela de jornalista. Na verdade foi um autodidata.
Nasceu com Angra no coração, adquiriu vários documentos importantes e anotou todas as informações possíveis que testemunharam a história de seu torrão natal. Foi presença marcante em muitos congressos, simpósios e encontros onde podia aprimorar seus conhecimentos, dar sua contribuição cultural e mostrar Angra dos Reis a todas as pessoas.

Foi uma pessoa simples, generosa, tenaz e competente. Nunca deixou de dar atenção a quem o procurava na cidade em busca de informações sobre o município. Tinha um carinho muito grande com os artistas, escritores e poetas angrenses, principalmente com Honório Lima e Brasil dos Reis.
Publicou vários trabalhos contando detalhes da história angrense, entre eles destacamos:

O velho convento – seu primeiro livro, publicado em 1967;

Ouro, incenso e mirra – publicado em 1970;

Poetas da minha terra – publicado em 1971;

A Santa Casa de Angra – publicado em 1972;

Os barões de Angra – publicado em 1978;

O Convento de N. S. do Carmo da Ilha Grande – publicado em 1980;

A Igreja Matriz de N. S. da Conceição de Angra dos Reis – publicado em 1986.

Não publicou um livro com a história de Angra, mas deixou subsídios para que outros pesquisadores o fizessem.
Ainda fez mais pela cultura angrense, fundou em 20 de abril de 1973, junto com alguns amigos, o Ateneu Angrense de Letras e Artes. O Ateneu funciona atualmente em uma sala na Casa de Cultura Brasil dos Reis. Foi seu presidente por vários anos e fazia questão de redigir a Revista do Ateneu. Na edição de dezembro de 1992, escreveu um artigo sobre as usinas nucleares, intitulado “A USINA ATÔMICA ‘ANGRA II’ EXIGE UMA DEFINIÇÃO”. Sob sua direção a revista foi publicada durante dez anos.
Criou, no governo de José Luiz Ribeiro Reseck, o Conselho Municipal de Cultura, do qual foi presidente. Neste período ajudou a publicar várias obras importantes para a nossa história, promover conferências, exposições e concursos literários.
Fez parte de várias ordens religiosas, como a Venerável Ordem Terceira do Carmo de Angra dos Reis.
Foi proprietário do Jornal “A Gazeta de Angra”. Também foi membro do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil; do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Fluminense de Letras.
No dia 3 de outubro de 1997, concedeu sua última entrevista ao poeta e escritor Antônio Roberto de Carvalho, publicada na edição de dezembro de 1997 da Revista do Ateneu. Já estava debilitado e com deficiência de visão, mas não perdia o entusiasmo ao falar sobre o futuro da cultura em Angra.

Não é possível conhecer Angra, sem lembrar-se das lições de Alípio. Como bem disseram os Mestres em história Cybelle de Ipanema e Marcello de Ipanema:
“— Angra e Alípio se confundem. Cremos que poucas pessoas fizeram por seu município tanto quanto ele.”
Em 6 de janeiro de 1998, Comemorávamos quatrocentos e noventa e seis anos da passagem da esquadra de Gonçalo Coelho por nossa angra dos Reis.
Nesta data, aos 76 anos, Alípio Mendes faleceu. Por tudo que fez para Angra, talvez tenha recebido um presente de Deus.